Carta
aberta aos cidadãos de Pedreiras e região
(Fonte: Google Imagem, retirada em 03.10.2018, às 8h22)
Carta Aberta enviada ao Blog do Joaquim Filho pela senhora Lua Castro, via e-mail
(Lua Castro, integrante do Movimento Pedreirense #EleNão)
No último sábado (29), milhares de pessoas
saíram às ruas gritando a uma só voz: #EleNão. Foram registradas
manifestações em pelo menos 114 cidades, dos 26 estados da Federação e no
Distrito Federal; bem como em outras 30 cidades importantes do cenário
internacional, como Nova York, Lisboa, Paris, Londres e Barcelona.
Em pedreiras, não poderia ser diferente. A
manifestação do movimento #EleNão aconteceu na sexta-feira (28). A
concentração inicial foi as 16h00, na praça da Sucam e contou com a presença
da: Associação de Moradores do Alto São José, Juventudes Partidárias (Vários
partidos), Movimento Estudantil, Movimento Feminista, Movimento LGBTQ+,
Movimento Negro, Quebradeiras de Côco, Secretaria da Mulher, Sindicato dos
trabalhadores Rurais, entre outros movimentos sociais, associações e membros da
sociedade em geral.
Marcado como um movimento suprapartidário,
o diferencial é que pudemos contar com eleitores de vários segmentos
diferentes, fizemos questão de ser uma passeata, assim todos poderiam
participar independente de ter ou não um carro ou moto.
Não
contamos com o apoio da PM local para a organização do trânsito e garantia da
segurança dos manifestantes, mas o caráter pacífico, ordeiro e responsável do
movimento garantiu que nenhum imprevisto afetasse o bom andamento da
manifestação. Pouco depois das 18h00, a passeata desceu pela avenida rumo a
praça de eventos na baixada de Trizidela do Vale.
A mensagem era clara, a palavra de ordem
era única em torno de uma causa que abrange uma parcela considerável da
sociedade. A ordem era de um basta ao machismo, à misoginia, à hipocrisia
moral, à homofobia, ao racismo, à xenofobia, à cultura de morte – e a quem as
represente.
Para nós do movimento #EleNão, o fato
de existirmos como somos, por si só já é um ato político de resistência.
Somente sabem o que passamos aqueles que vestem a nossa pele, quando
diariamente saímos as ruas e ouvimos sem fraquejar, insultos, baixarias e
brincadeiras que nos destroem por dentro e nos marcam por fora.
Somos negros, índios, mulheres, mães
solteiras, gays, enfim trabalhadores como quaisquer outros, mas que padecemos
por carregarmos em nós alguma característica que nos diferencia dos demais e
que fato não foi uma escolha nossa.
Ninguém escolhe ter medo de sair na rua e
apanhar pelo simples fato de amar alguém do mesmo sexo. Nenhuma mulher escolhe
ganhar menos pelo fato de ser mulher e engravidar. Ninguém escolhe ser branco
ou negro, indígena, do Sul ou do Nordeste. Isso para dizer que o que nos une é
o nosso sonho de sermos quem somos, tal como somos sem todas essas
interferências que forçadamente querem nos afastar do restante da sociedade.
Não queremos ter
mais direitos do que qualquer outro cidadão. Não queremos ser privilegiados e
muito menos tomar o lugar de ninguém. Queremos apenas aquilo que a constituição
já nos garante, manter o pouco que já conquistamos a duras penas e que vem
sendo colocado em risco por uma certa ideologia antiga que olha com olhos
repreensivos para aqueles que não se subjugam a sua régua moral que a todos que
uniformizar.
O nosso grito é para que a população acorde
e veja a grande ameaça que nos espreita. Acaso nos esquecemos das Sufragistas
de 1897? O Brasil se esqueceu do grande horror que foi o holocausto nazista de
1935-1945? Esquecemos da grande reivindicação pelas eleições diretas de
1983-1984?
Não precisa ter passado por tudo isso ou se
encaixar em algum desses grupos sociais que sofrem perseguições ao longo dos
séculos para se dar conta de que algo está errado. E de fato, muitos dos que
não foram às manifestações são capazes de ver a realidade e apoiar a nossa
luta, a isso chamamos de empatia.
Para uns, a mera citação desses momentos
históricos pode parecer um apelo sensacionalista, numa tentativa de tirar votos
de um falso “messias” que se nos apresenta. Muitos dizem que por sermos
jovens e não termos vivenciados pessoalmente nenhum desses fatos históricos,
não poderíamos reclamar ou dar uma opinião válida sobre o que aconteceu/está
acontecendo.
A questão principal que queremos chamar a
atenção é de que quem não conhece a história está fadado a repeti-la.
Seguimos o ensinamento da história para
defender o que acreditamos ser bom e verdadeiro. Aprendemos com Platão (347
a.C) que dizia: “O castigo dos bons que não fazem política é serem governados
pelos maus”. Por isso, nos unimos em uma só voz para dizer: #EleNão.







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