sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Coluna da Magali Lima

*A Polarização: A Vitória da Divisão e a Derrota do Brasil*

Magali Lima - Pedagoga e Especialista em Educação
 
Existe uma ameaça que não destrói pontes com explosões nem invade fronteiras com exércitos. Ela se instala silenciosamente nas conversas, nas redes sociais, nas famílias e nas instituições. Essa ameaça tem um nome: *polarização*.

Imagem Ilustrativa Retirada da Internet (Google Imagem), por Joaquim Filho, em 07.08.2026, às 14h24.

Quando uma nação deixa de enxergar pessoas e passa a enxergar apenas rótulos, ela inicia um perigoso processo de fragmentação. 

O adversário político deixa de ser alguém com uma visão diferente e passa a ser tratado como inimigo. A divergência deixa de produzir ideias e passa a produzir ódio. Nesse ambiente, a verdade perde espaço, o diálogo desaparece e a intolerância ocupa o centro das decisões.

Imagem Ilustrativa Retirada da Internet (Google Imagem), por Joaquim Filho, em 07.08.2026, às 14h24.

O Brasil não será reconstruído pela vitória absoluta de um lado sobre o outro. Nenhum projeto de país se sustenta quando metade da população é tratada como um problema a ser eliminado ou silenciado. Uma democracia madura não exige unanimidade; exige respeito, responsabilidade e compromisso com o bem comum.

Precisamos fazer uma pergunta incômoda: quando foi que deixamos de ser brasileiros para nos tornarmos apenas representantes de grupos? Quando foi que a identidade partidária passou a valer mais do que a identidade nacional?

As grandes causas do nosso tempo não possuem ideologia exclusiva. A criança que precisa de uma escola de qualidade não pergunta qual é o partido do governante. O paciente que espera atendimento em um hospital não quer saber a bandeira política de quem administra o sistema. O trabalhador que luta por emprego digno, o agricultor que enfrenta dificuldades, o empreendedor que busca oportunidades e a família que deseja viver em segurança compartilham necessidades que ultrapassam qualquer disputa eleitoral.

Imagem Ilustrativa Retirada da Internet (Google Imagem), por Joaquim Filho, em 07.08.2026, às 14h24.

Enquanto desperdiçamos energia alimentando divisões, problemas históricos continuam sem solução.

A desigualdade permanece, a violência preocupa, a educação enfrenta desafios e milhões de brasileiros aguardam respostas concretas. 

O país perde quando a disputa política se transforma em um fim em si mesma.

Isso não significa abrir mão de convicções. Pelo contrário.

Defender ideias é essencial em uma sociedade livre. O que precisa ser rejeitado é a crença de que apenas um grupo detém toda a verdade e, de que, qualquer pensamento diferente, merece desprezo. 

Uma nação cresce quando confronta argumentos, não quando destrói pessoas.

O Brasil precisa recuperar algo que nenhuma eleição deveria tirar de nós: *a consciência de pertencimento*. 

Antes de sermos eleitores, somos cidadãos. Antes de defendermos partidos, devemos defender princípios. Antes de levantarmos bandeiras, devemos levantar o compromisso com a justiça, com a dignidade humana e com o futuro das próximas gerações.

A história mostra que povos divididos se tornam frágeis. 

Quando a confiança desaparece e o diálogo é substituído pela hostilidade permanente, toda a sociedade paga o preço. Não existem vencedores em uma nação que aprende a odiar a si mesma.

O verdadeiro desafio do Brasil não é fazer todos pensarem igual. É fazer com que pessoas diferentes sejam capazes de construir juntas. 

Imagem Ilustrativa Retirada da Internet (Google Imagem), por Joaquim Filho, em 07.08.2026, às 14h24.

Isso exige coragem para ouvir, humildade para reconhecer erros e maturidade para colocar o interesse coletivo acima das paixões momentâneas.

O Brasil não precisa de mais muros. Precisa de mais pontes. Não precisa de mais inimigos. Precisa de cidadãos conscientes de que justiça, desenvolvimento e dignidade não pertencem a um partido, mas a todo o povo brasileiro.

Se esquecermos que somos uma única nação, continuaremos vencendo debates e perdendo o país. Mas, se tivermos a coragem de colocar o Brasil acima da polarização, talvez descubramos que o maior ato de patriotismo não é derrotar quem pensa diferente, e sim construir um futuro onde todos possam caminhar juntos.

*Magali Lima*

Pedagoga e Especialista em Educação.

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